CALOTE DO GOVERNO DA PARAÍBA

Sem pagamento, estrada é “arrancada”

Cidades - Estrada

Orçada em mais de R$ 1,2 milhão, a obra de pavimentação asfáltica da estrada que dá acesso à estátua do Cristo Redentor, em Itaporanga, Sertão do Estado, está paralisada há dois anos. Sem receber o dinheiro da empresa contratada pelo Governo do Estado para o serviço, um fornecedor do material de construção começou a arrancar as pedras usadas em um trecho do calçamento, para não ficar no prejuízo total. O acesso, que tem quatro quilômetros de extensão, já começa a ficar intransitável, mesmo para quem se arrisca a seguir a pé.

O padre da Paróquia de Itaporanga, Deusimar Silva Gomes, disse que a obra foi prometida pelo governador Cássio Cunha Lima, na última campanha eleitoral, e é muito importante para a cidade, pois é a única estrada que dá acesso à segunda estátua mais alta da Paraíba, cartão-postal de Itaporanga.

Sem subir
Segundo o pároco, na festa do Cristo Rei, em novembro do ano passado, poucos fiéis compareceram ao local da estátua, por falta de estrutura, e agora a situação é ainda pior, porque, em 2007, os carros ainda subiam e, este ano, nem carro, nem ônibus.

A comunidade está realizando um abaixo-assinado com quatro mil nomes, reivindicando do Governo do Estado uma solução. “Estou decepcionado com a falta de compromisso do governo, ele me prometeu pessoalmente na época da campanha que iria realizar a obra, mas infelizmente isso não vem acontecendo”, afirmou o padre entristecido.

A situação ´piorou quando a construtora Engepav não pagou ao fornecedor de material para a obra. Ele ficou com um prejuízo de R$ 45 mil e, para não perder tudo, está retirando as pedras do pouco asfalto que existe. Segundo o fornecedor, a empresa já foi procurada várias vezes para tentar um acordo, mas até agora nada foi resolvido. “Estou fazendo isso contra minha vontade, porque eu também sou sonhador desse projeto, mas não posso ficar devendo e tendo com o que pagar, que são as pedras”, justificou.

O restaurante no centro de Itaporanga, onde os funcionários faziam as refeições, teve um prejuízo de R$ 1.284. Duas lojas de peças automotivas, que também prestavam serviços à empresa, fornecendo peças para os carros também contabilizam dívidas. Em uma delas, a conta é de R$ 723, que está em aberto desde maio do ano passado, com notas assinadas pelo engenheiro e responsável pela obra, Eduardo Lins de Farias. Os comerciantes lamentam porque vivem desse trabalho e precisam pagar os funcionários.

Fonte: Portal Correio (Mônica Rodrigues)